quarta-feira, 2 de maio de 2018

Querida ella
A amizade é algo encantador. Podem passar dias, meses e até mesmo anos, porém quando reencontramos um amigo com o qual dividimos a dádiva de ter uma afinidade e um carinho com ares de almas gêmeas, recarregamos as energias e nos reconectamos com nossa essência e com o que temos de melhor para oferecer. 
Ontem tua alegria e satisfação em dividir algumas horas com pessoas que te fazem sentir e viver a força de uma amizade que transborda risos, confidências, leveza e simplicidade, me fez perceber o quanto a vida foi generosa contigo ao colocar pessoas tão especiais e únicas nessa tua caminhada. 

Amigos nos fazem lembrar quem somos. E nos ajudam a retomar os caminhos que nos levam ao nosso coração e que acalmam nossa alma. Amigos são presentes que nos ajudam a construir memórias e a desejar o melhor que o futuro pode nos reservar. 

terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Querida ella
Esse tempo todo em que me mantive ausente foi para respeitar o seu tempo. Te conheço tanto que já sei quando necessitas ficar quieta, como um caramujo em sua concha. Quando te afastas até mesmo daquilo que mais te traz prazer, a escrita, é porque está precisando desse espaço, dessa solidão entre tuas ideias e confabulações. Mas já tem alguns dias a vontade em te falar algumas coisas começou a incomodar. Chegou a hora de novamente te lembrar de algumas coisas, algumas doloridas outras reconfortantes.
Sempre foste quieta e contida em relação aos teus sentimentos e tuas emoções, principalmente quanto aos mais profundos e importantes. Isso pode parecer uma coisa positiva em um primeiro instante, uma forma de manter-se segura ou ainda de preservar tua privacidade. O problema está em confundir isso tudo com uma negação latente do que está sentindo. Esconder de você mesma o que se passa aí dentro não irá ajudar em nada. Engolir sapos nunca foi e nunca será uma virtude. É uma burrice sem tamanho e uma forma de auto destruir-se e de auto sabotar-se injustificável. 
Permita-se transbordar teus sentimentos e tuas emoções, ainda que eles pareçam inconvenientes e inapropriados. Eles precisam de espaço para fluírem e tomarem o rumo que necessitam, pra fora de você, para que tua alma e teu corpo não padeçam da dor de carregar sapos que pesam mais que pedras e que ferem mais que flechas. A cura daquilo que hoje dói em teu peito só será possível a partir do momento em que você se permitir reconhecer tuas dores, aceitá-las e as deixar partir quando a hora chegar. 
Assim como o tempo cura tudo, ele também se encarrega de levar embora aquilo que você se permitir abandonar pelo caminho. 

segunda-feira, 30 de outubro de 2017

Querida Ella
A maturidade nos traz algumas certezas, mas também nos faz questionar certas coisas que parecem nunca ter tido tanta importância em tempos passados. Você já refletiu sobre quantas palavras cabem num abraço silencioso? Quantos beijos cabem num olhar? Quantos anos cabem num entrelaçar de dedos? Quanto se perdeu por não ter percebido que o tempo é o melhor amigo quando a pressa insiste em nos cegar e nos faz apressar o passo? Ah querida, da mesma forma que ela questiona, ela também é a única capaz de nos dar as respostas. É a maturidade que enfim te ensina que no fim das contas apenas o que deveríamos ter feito era ter permanecido na embriaguez da insensatez.

sábado, 30 de setembro de 2017

Sobre o tempo e o amor

Querida ella
O que é o tempo senão o elemento que nos separa daquilo que fomos e nos aproxima do que um dia seremos?
O que é o amor senão a consolidação e a reiteração de um sentimento que se transforma com o tempo?
E entre o tempo que te transforma e te constrói e o amor que se instala, se repete e se acomoda dentro da rotina, ainda encontra você mesma?
Você ainda se percebe e se reconhece no conjugar destes dois atores de uma vida inteira: tempo e amor?
A resposta não está em lugar algum, em tempo algum ou em amor algum. Se ainda te procuras no tempo e no amor que carrega contigo, é porque há muito te perdeste de ti mesma. A maior protagonista de tua história só pode ser você mesma. Nenhum amor em nenhum tempo.
Mas veja que astuto é o destino ou o que quer que seja o que nos coloca onde devemos estar: enquanto houver tempo e amor haverá a esperança de você encontrar a si mesma. Não aquela que já foi um dia e muito menos a que porventura em um futuro incerto será; mas sim esta que agora mesmo te escreve e te suplica: não te percas de você mesma.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Paz

Querida ella
Hoje é um daqueles dias em que as horas nos atropelam e nos encurralam em atrasos. Sei bem como te sentes. Compartilho contigo o descompasso do relógio com as necessidades de parar, respirar, sentir, viver e pensar de uma forma mais plena, mais leve, mais sua.
Talvez o que tenho hoje para te dizer sirva mais para apaziguar do que para resolver. Mas e não é esta paz que todos nós procuramos? Muito mais do que a solução de todos os nossos problemas?
Por isso hoje, o que tenho para te dizer é que não te esqueças de que a tua paz depende do que você carrega ai dentro, muito mais do que você tem que carregar aqui fora. Procure por isso, se alimente disso: de coisas suas, de coisas boas, sons, sabores, cores e sentimentos que te tragam paz, muito mais do que soluções. Quando souberes que está em paz, verás que tudo já foi solucionado.

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Reflexos do tempo

Querida ella
Eu sei que o peso do tempo anda a rondar o teu reflexo no espelho. Não somente o peso do tempo, mas o peso que carrega nos ombros diante da exigências que rondam a todas nós. Reflexos distorcidos, padrões pré estabelecidos. Você, como qualquer outra, já esteve antes nesse mesmo lugar. Mas peço que te lembres de todo o caminho que já percorreste até aqui. Quero que recordes que não são somente anos passando, ou o corpo mudando, a pele se transformando. Não te limites a enxergar apenas isso, não será justo com você. É uma vida recheada de histórias, de marcas, de transformações não somente do corpo, mas da alma. Uma alma e um corpo que se ajustam ao dançar dos acontecimentos, das grandes batalhas, de duas gestações, de uma maternidade plena, de uma incansável busca pelo amor que se recicla e se recria a cada nova estação. Lembre-se de cuidar-se por inteiro. A saúde do corpo deve estar em sintonia com a saúde da alma. E se algo não está a contento, faça um bem a você mesma: pare, olhe, sinta e se permita entrar no casulo, mesmo que não seja confortável ou um pouco dolorido. Está na hora da lagarta tornar-se borboleta. Novamente.

Guarda teu coração

Querida ella
Há alguns dias venho te observando, tua luta em manter-se atenta a tudo e a todos, em dar conta de todos os papéis que precisa desempenhar e que tanto te completam, e te esgotam e te deixam plena, um emaranhado de paradoxos, sentimentos e atividades sem fim. Sei que tem dias em que somente o que busca ou o que deseja é um pouco de silêncio, uma hora mais de sono, uma ausência não percebida. 
Os dois coraçõezinhos que batem fora do teu corpo tem o imenso poder de te centrar e ao mesmo tempo te tirar do teu eixo. Sei que quando estavam abrigados aí dentro as expectativas eram muitas, ideais, às vezes tão fáceis. E mesmo na segunda vez, em que já parecia gata escaldada e te achavas preparada, as surpresas não param de chegar. Afinal, cada um é único e você também. Por isso, hoje aqui estou para te lembrar de que ainda que te sintas cansada, esgotada e até desanimada, te agarra nos sorrisos, nos risos e na leveza dos teus filhos, esses ainda tão pequenos em tamanho mas tão grandes em afeto. Preserva o coração para aqueles que tu ama.